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Marketing consciente: o que é e como funciona?

Temos muito o que conversar sobre marketing consciente, mas sempre acho bom partir do ponto básico: qualquer negócio precisa fazer marketing.


Para que serve o marketing?


Fazer marketing é vender ideias, produtos, serviços e mudanças. É movimentar pessoas, resolver problemas, encontrar soluções, com um objetivo específico, usando estratégia.


O conceito de marketing consciente surgiu a partir da necessidade de encontrar novas abordagens e significados para o marketing, já que a abordagem tradicional acaba sendo agressiva e insustentável, tanto para quem produz quanto para quem consome.


Marketing consciente faz uma ruptura com o marketing tradicional


O marketing tradicional, do ponto de vista de quem produz exige uma demanda absurda, tanto física quanto emocional, uma busca sempre por mais e mais e uma desconexão com o todo.


Já do ponto de vista de quem consome, produtos e informação, é um excesso perturbador, que incentiva o consumo desenfreado e obsessivo, criando um estilo de vida e de consumo completamente irreal e inatingível.


As pessoas são pessoas antes de serem consumidores e não querem se relacionar com empresas que só querem seu dinheiro. Querem construir um mundo melhor, tendo empresas como aliadas ao seu lado.


Assista o vídeo onde explico em detalhes o que é o Marketing Consciente e como ele pode transformar o seu negócio:




Quem faz parte desse movimento?


Philip Kotler em seu livro Marketing 4.0 trouxe uma abordagem mais consciente do marketing, como sendo uma nova era, de uma forma mais integrada e inovadora, sem necessariamente usar o termo 'marketing consciente'.


O movimento do Capitalismo Consciente também reforçou muito a abordagem consciente em diversas áreas, como marketing, empreendedorismo, etc.


Mas foi através do livro Conscious Marketing, de Carolyn Tate, que eu entendi que o que eu fazia - e queria continuar fazendo - era marketing consciente.


Desde então conheci outros profissionais brasileiros que buscam o mesmo. Entre eles, Sue Coutinho que foca no slow content, Yuri do The Marketing Hub, Lucas do Bota na Rua, fazendo marketing ético e por aí vai...


Vendo todo esse movimento ganhando força e buscando conhecimento em outros livros sobre empreendedorismo consciente, eu percebi uma coisa:


Não existe mais espaço para o marketing agressivo no futuro que queremos.


um homem e um menino pretos estão com expressões espantadas e pinturas corporais no rosto, usando roupas étnicas africanas.
Queremos singularidade, pessoas reais, empresas reais, mudanças reais.



O que o marketing consciente considera


Ao invés de buscar o lucro a todo custo, o marketing consciente busca a prosperidade para todos os stakeholders, ou seja, todas as pessoas envolvidas no negócio. Sócios, funcionários/colaboradores, clientes, fornecedores e a própria natureza, base de tudo. Se não for bom pra todo mundo, alguma coisa está errada.


Portanto são essenciais políticas internas de gestão e compensação de impacto socioambiental, por exemplo. O objetivo não é a perfeição, mas sim o processo de evolução constante.



Marketing no longo prazo


"Marketing (e negócios) a curto prazo é uma noção maluca e cansativa para todos" - Carolyn Tate

Pensar somente no ganho a curto prazo tem muito a ver com aquelas propagandas forçadas, que estimulam a compra sem o questionamento, que não buscam conexão com pessoas e sim dinheiro dos consumidores, não importam os meios. Em outras palavras: só importa o dinheiro que entra e não o que acontece no caminho.


Pois nessa nova mentalidade de fazer negócios, os meios não justificam os fins e é necessário ter um cuidado carinhoso na forma como as mensagens são ditas e o que existe por trás delas - quais são as intenções?


Quem pode fazer marketing consciente?


Todo mundo pode! Mas em alguns nichos isso vai ser mais importante ou mesmo essencial, como é o caso de:

  • Psicólogas/os: quem cuida da saúde mental de outras pessoas não pode promover discursos que geram ansiedade.

  • Terapeutas em geral: todos que trabalham com foco em autoconhecimento também precisam alinhar discurso e prática.

  • Artistas: trabalhar com criatividade e criação precisa ter um acompanhamento humanizado do negócio para fazer sentido.

  • Profissionais de comunicação e design: para exercer a comunicação com o cliente e traduzir as ideias dele para o mundo, uma dose de sensibilidade e muitas colheradas de marketing consciente ajudam demais.

  • Nicho ambiental: se o foco é ecologia em qualquer negócio é preciso ter o olhar do marketing consciente.


Em resumo: profissionais de qualquer nicho que acreditam em relações mais humanizadas, horizontais, respeitosas e construtivas.


Indo às raízes - fortalecendo a cultura local


Um exemplo super legal da abordagem consciente nos negócios é retratado na série Restaurantes em Risco, da Netflix, que eu maratonei que nem doida em 2020 :)


Restaurantes em risco. A imagem mostra uma faca afiada equilibrando um prato de comida na ponta.


A equipe formada por pessoas na área do design, marketing e gastronomia, viajaram pelo mundo ajudando restaurantes que estavam em risco de fechar, focando na economia local, fortalecendo outros negócios e a própria cultura. A maioria desses negócios estava tentando parecer de outro lugar, negando a própria cultura, em lugares paradisíacos onde os turistas buscavam conhecer a cultura daquele lugar específico.


Era feito então um processo profundo de realinhamento do negócio como um todo, cuidando de todos os pontos (proposta da marca, imagem visual, decoração do ambiente, cardápio, de onde vinham os insumos, como era preparado, como lidar com os feedbacks negativos... tudo.)


Perceba o que existia ali: interdisciplinaridade, trabalho em equipe, resgate da cultura local, preocupação ambiental e social.


O marketing consciente, então, age com um olhar global sobre os problemas de um negócio, não vendo as empresas como algo deslocado da sociedade e sim completamente integrado e, portanto, corresponsável.


Precisa começar dentro: propósito.


"Para se tornar um marketeiro consciente, primeiro você se tornar uma pessoa consciente" Carolyn Tate


O propósito no marketing consciente não é uma palavra bonita, é fundamental. Você precisa ter um objetivo responsável, algo que seja um farol para movimentar o negócio de forma justa. Não vale negligenciar essa parte, mas também não precisa ser romantizado ou complicado demais.



Da mesma forma que o propósito também se entrelaça com os objetivos pessoais do fundador do negócio (eu, você, quem quer que seja), as condutas éticas que esse negócio vai seguir e respeitar também são influenciadas por quem está nos bastidores.


Por isso, acho importantíssimo que ao começar a empreender em uma ideia, você reflita profundamente sobre quais são os seus valores, de que coisas você não abre mão, que atitudes você não quer propagar, quais são os seus princípios humanitários e as bandeiras que você defende.


"O marketing consciente entrega muito mais do que produtos. Ele promove ideias, ele interfere em contextos." - Sue Coutinho

mesa com livro sobre psicanálise, plantinha e caneca de vidro cheia de canetas coloridas. a parede ao fundo é amarela.


Em relação aos anúncios... cautela.


O marketing na abordagem consciente não nega - jamais - o uso de ferramentas de automação positivas, ou seja, agendamento de postagens, criação de site, envio de newsletter, fluxos de automações. Na verdade, se esses recursos digitais facilitam a vida de todos e tornam o trabalho mais saudável, devem ser usados.


"Criar algo tão bom que precisa de mínimo investimento em mídia, as pessoas se sentem parte de um movimento, porque realmente existe um caminho para pessoas semelhantes buscarem e encontrarem algum tipo de transformação." - Carolyn Tate

É importante lembrar que não adianta investir muito dinheiro em publicações patrocinadas (anúncios) se você não tem estrutura preparada para receber as pessoas que vão chegar com esse anúncio. Se o seu perfil nas redes sociais não tem informações básicas, conteúdo de qualidade, um site e, sem dúvida nenhuma, produtos para vender.


Isso que eu nem vou entrar aqui na questão de que muitos negócios independentes não tem esse dinheiro pra investir e o quanto essa tática reforça a desigualdade no mercado, afinal, o que chega no público de massa é o pago.


"O marketing consciente entrega números muito parecidos com um marketing tradicional. A diferença é o cuidado e a atenção com os processos de uma marca." - Sue Coutinho

Por isso é muito importante como estratégia ter uma comunicação muito assertiva com o seu público específico, nichado, para que você consiga se relacionar e gerar uma identificação verdadeira, genuína, e com isso o seu negócio crescer, levando para frente um grupo de pessoas junto com ele.



Pontos importantes para o marketing consciente


  • Criação de produtos e serviços alinhados à necessidades reais das pessoas

  • Criação de conteúdo com intenção e profundidade, em ritmo saudável

  • Relacionamento e laços afetivos, criados por meio da comunicação sincera e do propósito compartilhado

  • Preocupação e ação focada em melhorar o espaço-comum (social, ambiental, cultural...)

  • Busca pela sustentabilidade em diversas camadas (financeira, social, ambiental, individual)

  • Transparência na comunicação e na gestão dos processos

  • Rede de parcerias que cultivem a diversidade


Encerro esse artigo dizendo que, infelizmente, marketing consciente não é para todos, ainda. É preciso estar em busca de maior consciência e melhoria em todos os processos, caso contrário, será só uma reprodução de algo que já existe e não inovador de verdade.


Seguimos construindo um mundo que vale a pena viver. Você está junto?



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