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Consumo consciente e afetivo: como vender na nova era?

Comunicação consciente começa pela forma como a gente enxerga as pessoas.

Se a gente, enquanto marca, vê pessoas meramente como consumidores, criamos uma distância afetiva que impede que a comunicação se torne próxima e natural, ou mesmo eficiente.


Pessoas são pessoas antes de serem consumidores.


Faz uma diferença enorme ver as pessoas como pessoas, clientes como amigos, quem sabe até possíveis parceiros. Seres humanos sendo humanos, com sentimentos e anseios e que, eventualmente, compram conforme a necessidade.


mulher negra sorrindo com arranjo de flores vermelhas, rosas e brancas na cabeça, fundo amarelo atrás.
Pessoas são pessoas e não apenas consumidores.


Ou seja, a posição de consumidor é um momento da complexidade do ser humano, não pode ser algo que define o outro, senão perdemos a beleza da relação que é o afeto.


O consumo evolui do aspecto meramente funcional, para o nível de consciência – consumo consciente -, onde importa não apenas a função do produto ou a efetividade do serviço, mas também a forma como ele é produzido, descartado, recolhido, como os trabalhadores são recompensados, como é a cultura interna da empresa, como se desenvolve a comunicação…


E para além do consumo consciente, que envolve esses olhares atentos, também brota o consumo afetivo, que é um passo a mais, dando ainda mais ênfase na questão da comunicação e do relacionamento interpessoal.


O próximo nível do consumo consciente: afeto.

Nesse nível, a consciência do ser humano na posição de consumidor é alta e a busca por uma relação além do contato profissional faz parte do processo. O que se busca não é sanar apenas uma necessidade funcional, mas uma necessidade emocional – o vínculo humano.


É quando a gente discute a participação das marcas na vida das pessoas como se fossem amigas, colaboradoras de um mundo mais humano e inclusivo, participantes da sociedade de forma ativa e empática. Isso conecta e gera uma compra muito mais sincera, consciente e cheia de simbolismos.


Esse precisa ser um processo natural e não forçado.


Na prática, isso resulta em um cliente muito mais satisfeito – considerando qualidade de produto ou serviço, obviamente -, que propaga a mensagem da marca, justamente por estar de acordo com a sua própria visão de mundo.


É o feedback da maior qualidade possível e que acaba acontecendo de forma espontânea, com um envolvimento genuíno e um relacionamento muito mais duradouro, fundamentado em uma conexão real, de fato.






Essa compreensão mais profunda sobre relacionamento humano e conexão afetiva posta em prática sana diversas necessidades que as marcas sentem, como falta de engajamento nas redes sociais, a espera eterna por um feedback de qualidade, a venda que não bateu a meta… Mas não é algo que vem do nada ou que se constrói de um dia para o outro.


Comunicação humanizada e autêntica


Isso se constrói a partir de uma comunicação humanizada e autêntica, onde se vê pessoas para além de consumidores, onde se vê comunidade para além de público e onde o serviço ou o produto são pontes para sanar necessidades reais e auxiliar pessoas reais a chegar em lugares específicos.


Então, é uma construção diária, que envolve entrega e presença, exposição das usas próprias vulnerabilidades enquanto pessoa por trás da marca, muita conversa com as pessoas do outro lado da tela e muita, muita escuta.


O consumo consciente, então, que trata da análise de rótulos, da desconfiança sobre greenwashing, da suspeita e busca minuciosa pelo significado por trás dos asteriscos, da pressão forçada pra cima das grandes marcas, da busca pelos pequenos produtores, da valorização do consumo e produção local, das produções em pequena escala, mantém sua preocupação socioambiental mas evolui para o consumo afetivo, que engloba o consciente porém num nível onde o relacionamento importa muito e as pessoas se enxergam por trás dos logotipos.



mulher esticando o braço para a câmera de forma delicada e um raio de luz do sol batendo e refletindo a luz
Pessoas se conectam com pessoas e se unem pelas suas visões de mundo parecidas.

Como consumidora, continuo valorizando a produção local de pequena escala, mas em busca de um consumo mais afetivo, quero conhecer como funciona o processo de produção, quero conhecer quem faz e me conectar através dos pontos de identificação que possamos ter.


Como marca, exponho quem está nos bastidores, abro os meus processos criativos e produtivos, converso com meus clientes como se fossem amigos, criando uma atmosfera de proximidade de forma sincera e não apenas por interesse de vender um produto no final. Não existe final, é um eterno processo relacional.


Pessoas se conectam com pessoas


Quem plantou? Quem costurou? Quem vende? Quem manda mensagem no direct, quem responde as minhas dúvidas? Dê nome.


Existem várias iniciativas em que podemos perceber o consumo afetivo ganhando espaço, mesmo que não seja dito com esse nome. O movimento “Quem faz suas roupas?” é um exemplo disso, criando uma conscientização em consumidores e marcas de diversos tamanhos na indústria da moda – não basta saber se é de algodão agroecológico, eu quero saber quem plantou, quem costurou, quem vende.


Pessoas buscam por pontos de conexão e identificação em todos os lugares, estando ou não conscientes disso. Portanto, é parte da responsabilidade das marcas, nessa nova era de comunicação, criar pontes para que esses vínculos reais aconteçam e que ambos os lados possam aprender e evoluir juntos.


A venda, em um mundo com pessoas cada vez mais consciente, é uma consequência de um processo de conexão verdadeira entre seres humanos e uma entrega de qualidade do que se trata a área da marca.


Sinta-se aberto para me mandar uma mensagem e continuarmos essa conversa.

E caso você queira saber mais sobre venda consciente, fiz esse vídeo no youtube:



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Quem escreveu esse artigo?

Késsile Tanski, co-fundadora da Direção, comunicadora, empreendedora, criadora de conteúdo, mãe e entusiasta do slowliving :) Buscando a consciência em todas as áreas da vida.

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